A ministra Maria Marluce Caldas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a prisão preventiva dos policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides. Eles são acusados de forjar um confronto armado no Contorno Leste, em Cuiabá, com o objetivo de dar fim à arma utilizada no assassinato do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024.
A decisão atende a um recurso especial do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que combateu a liberdade provisória concedida anteriormente pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O MP sustenta que os quatro PMs integram um grupo de extermínio e que a simulação do confronto resultou na morte de um jovem de 26 anos e deixou dois adolescentes feridos.
A fraude da arma
Segundo as investigações, após o suposto tiroteio, a equipe entregou uma pistola com seletor de rajada que teria sido encontrada com as vítimas. No entanto, a perícia constatou que se tratava da mesma arma usada para matar Renato Nery e outra vítima em 2022. Para a ministra Marluce Caldas, a prisão é necessária para garantir a ordem pública, uma vez que os policiais já haviam retornado às atividades operacionais mesmo diante da gravidade das acusações de homicídio qualificado, fraude processual e organização criminosa.
Caso Nery
Renato Nery foi executado com sete tiros em frente ao seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em julho do ano passado. A motivação do crime seria uma disputa judicial por uma área de 12 mil hectares em Novo São Joaquim. Além dos quatro PMs agora presos por forjar o confronto, o inquérito aponta empresários de Primavera do Leste como mandantes e outros três militares como intermediários do assassinato.
