O juiz Cássio Leite de Barros Neto, do Núcleo de Justiça do Juiz das Garantias de Cuiabá, determinou a realização de uma auditoria para apurar emendas parlamentares destinadas por sete vereadores ao Instituto Brasil Central (Ibrace), alvo da Operação Gorjeta, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos.
A decisão atinge emendas enviadas pelos vereadores Chico 2000, afastado do cargo, Cezinha Nascimento, Kássio Coelho (Podemos), Lilo Pinheiro (PDT), Dr. Luiz Fernando, Wilson Kero Kero (PMDB) e Rodrigo Arruda e Sá (PSDB). A auditoria será conduzida pela Controladoria Geral do Município (CGM) e deverá analisar, no prazo de 120 dias, todos os Termos de Fomento firmados entre o Ibrace e a Prefeitura de Cuiabá desde 2022.
Relatório apresentado pela Polícia Civil à Justiça aponta que o Ibrace teria sido cooptado para a prática de crimes contra a administração pública, por meio do desvio de emendas parlamentares.
Entre 22 de novembro de 2022 e 9 de abril de 2025, o instituto recebeu R$ 5,48 milhões do município de Cuiabá. Desse total, R$ 3,65 milhões — o equivalente a 66% — foram repassados por meio de emendas impositivas destinadas pelo vereador Chico 2000, segundo a investigação.
O caso
São investigados pelos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro o vereador Chico 2000; o empresário João Nery Chiroli; os servidores da Câmara Municipal Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete de Chico 2000, e Joaci Conceição Silva, lotado no gabinete do vereador Mário Nadaf (PV); além de Alex Jones Silva, presidente do Ibrace, e Magali Gauna Felismino Chiroli.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria causado prejuízos à Câmara Municipal de Cuiabá e à Prefeitura por meio de um esquema de desvio de emendas parlamentares.
