O mercado imobiliário brasileiro chega a 2026 com perspectivas de crescimento sustentado, ainda que inserido em um ambiente econômico que exige cautela e planejamento. O cenário nacional aponta para um setor resiliente, que soube se adaptar ao ciclo de juros elevados dos últimos anos e agora passa a enxergar um horizonte mais favorável.
Para Victor Bento, diretor do Grupo Vivart, a expectativa é de queda gradual da taxa Selic, aliada a uma inflação mais controlada, tende a melhorar o ambiente de crédito e estimular novos negócios. “O mercado imobiliário no Brasil entra em 2026 mais maduro, com compradores mais conscientes e incorporadoras mais estratégicas”, avalia.
Segundo ele, fatores macroeconômicos como a política monetária, o comportamento da inflação e o ritmo de crescimento do PIB continuam sendo determinantes para o desempenho do setor. Após um período de forte aperto monetário, a sinalização de redução dos juros ao longo de 2026 deve impactar diretamente o custo do financiamento imobiliário, ampliando o acesso ao crédito e aumentando a confiança do consumidor. “Quando o crédito fica mais barato, o imóvel volta a ser visto não apenas como necessidade, mas também como investimento seguro, especialmente em um país onde o déficit habitacional ainda é significativo”, destaca.
Em Mato Grosso, o cenário é ainda mais promissor. O estado tem se destacado nos últimos anos pelo crescimento econômico acima da média nacional, impulsionado pelo agronegócio, pela expansão urbana e por investimentos em infraestrutura. Para Victor Bento, esse contexto cria uma base sólida para o mercado imobiliário regional. “Mato Grosso vive um momento muito particular. O aumento da renda, o crescimento populacional em polos urbanos como Cuiabá e Várzea Grande e a chegada de novos empreendimentos têm sustentado uma demanda constante por imóveis, mesmo em períodos de juros elevados”, afirma.
A expectativa de redução da Selic em 2026 é vista como um fator-chave para impulsionar ainda mais esse movimento no estado. De acordo com o diretor da Vivart, a queda dos juros tende a destravar uma demanda que ficou represada nos últimos anos, especialmente entre famílias que adiaram a compra do primeiro imóvel. “Com taxas mais acessíveis, o financiamento imobiliário volta a caber no orçamento, o que deve gerar um aumento significativo no volume de negociações em Mato Grosso ao longo de 2026”, projeta.
O comportamento dos diferentes segmentos do mercado também deve seguir uma dinâmica semelhante à observada em 2025. O programa Minha Casa, Minha Vida permanece como um dos principais motores do setor, sustentando uma forte demanda por imóveis populares e de médio padrão. Victor Bento explica que esse segmento mostrou grande resistência mesmo em um cenário de juros altos, impulsionado por políticas públicas, subsídios e condições especiais de financiamento. “O Minha Casa, Minha Vida continuará sendo fundamental em 2026, tanto no Brasil quanto em Mato Grosso, garantindo liquidez ao mercado e estimulando novos lançamentos”, pontua.
Já o segmento de alto padrão, embora mais sensível às condições macroeconômicas, deve manter um comportamento seletivo, com compradores mais criteriosos e foco em produtos diferenciados. Segundo Bento, a tendência é de estabilidade, com possibilidade de retomada mais consistente à medida que o custo do crédito diminua. “O público de alto padrão é menos dependente de financiamento, mas também observa o cenário econômico. Com juros em queda, esse segmento tende a ganhar mais dinamismo”, explica.
No que diz respeito aos preços, a trajetória de valorização dos imóveis deve continuar em 2026. Nacionalmente, os indicadores apontam para uma alta moderada, mas consistente, reflexo da combinação entre demanda aquecida, custos de construção elevados e oferta ainda limitada em determinadas regiões. Em Mato Grosso, a expectativa é de que a valorização acompanhe — ou até supere — a média nacional, especialmente em áreas que recebem investimentos em infraestrutura urbana e novos projetos imobiliários. “O estado tem regiões com grande potencial de valorização. Em Cuiabá, por exemplo, novos vetores de crescimento urbano estão redefinindo o mapa imobiliário da cidade”, observa.
Para Victor Bento, o cenário de 2026 reforça o papel do mercado imobiliário como um dos pilares da economia. “Mesmo diante de oscilações econômicas, o setor segue forte, gerando empregos, movimentando a cadeia produtiva e oferecendo oportunidades tanto para quem quer morar quanto para quem deseja investir. Em Mato Grosso, a combinação entre crescimento econômico e demanda habitacional cria um ambiente bastante positivo para o próximo ano”, conclui.
