domingo, 25 de janeiro de 2026
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CASO RAQUEL CATTANI

Delegado diz que frieza de ex-marido chamou atenção na investigação: “astuto”, “frio” e “controlado”

Ao responder aos questionamentos do MP, o delegado relatou que Romero não demonstrou reações emocionais compatíveis com a gravidade do crime

O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri foi a primeira testemunha ouvida no Tribunal do Júri que julga os irmãos Romero e Rodrigo Xavier Mengarde pelo feminicídio da produtora rural Raquel Cattani, em Nova Mutum. Durante o depoimento, ele afirmou que o comportamento de Romero, ex-marido da vítima, chamou a atenção da equipe de investigação por ser considerado ‘frio’, ‘calculado’ e ‘estrategicamente controlado’.

Ao responder aos questionamentos do Ministério Público, o delegado relatou que Romero não demonstrou reações emocionais compatíveis com a gravidade do crime, como tristeza, choque ou inconformismo. Segundo Negri, o investigado se mostrava atento às perguntas, observava os interlocutores com cuidado e formulava respostas medidas, o que despertou suspeitas logo no início da apuração.

O delegado também destacou que a investigação identificou um histórico de controle e perseguição por parte do ex-marido antes do homicídio. Testemunhas relataram comportamentos recorrentes de vigilância, aparições inesperadas e atitudes obsessivas, que teriam causado medo constante em Raquel. Apesar de não haver registros de agressões físicas anteriores, o investigador classificou a situação como violência psicológica, com reflexos diretos sobre a vítima e os filhos.

Negri detalhou que a Polícia Civil mobilizou equipes imediatamente após a comunicação do crime, atuando de forma simultânea em duas frentes. Enquanto parte dos investigadores se deslocou até a chácara onde Raquel foi morta, no assentamento Pontal do Marape, outra equipe iniciou diligências em Tapurah, local onde Romero se encontrava naquele período.

Conforme o depoimento, Romero se apresentou espontaneamente às autoridades, e seus deslocamentos passaram a ser analisados desde as primeiras horas da investigação. As apurações indicaram que ele circulou por diferentes locais antes do crime, e imagens de câmeras de segurança registraram seu veículo deixando Tapurah em direção à região do Pontal do Marape.

No local do homicídio, os policiais encontraram a residência com sinais de arrombamento por uma janela nos fundos. Raquel foi localizada caída dentro da casa, entre o quarto e o banheiro, com diversas lesões de defesa nos braços e antebraços, provocadas por golpes de faca. Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de apenas o quarto da vítima ter sido revirado, indicando, posteriormente, uma tentativa de simulação de roubo.

Com o avanço das diligências, a Polícia Civil concluiu que Romero não estava presente no local no momento do assassinato. Segundo o delegado, o ex-marido apresentou um álibi considerado consistente, sustentado por provas técnicas, registros de deslocamento e análises digitais, o que levou a investigação a concentrar esforços na identificação do autor material.

A partir desse ponto, as provas passaram a apontar para Rodrigo Xavier Mengarde, irmão de Romero. Em interrogatório, ele confessou ter cometido o crime. De acordo com o relato feito em juízo, Rodrigo arrombou uma janela, entrou na residência e permaneceu escondido aguardando a chegada da vítima. Raquel teria percebido a presença dele pelo odor no ambiente e tentou identificar a origem antes de ser atacada.

Após o assassinato, Rodrigo teria revirado apenas o quarto da vítima, deixado uma televisão do lado de fora da casa e fugido utilizando uma motocicleta. A dinâmica, segundo o delegado, foi confirmada por provas técnicas, incluindo a análise das estações rádio-base (ERBs), que permitiram rastrear o trajeto do acusado desde a chegada ao local do crime até a fuga por municípios da região.

O julgamento segue sob a presidência da juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski. Conforme a denúncia do Ministério Público, Rodrigo responde como autor material do feminicídio, enquanto Romero é acusado de autoria intelectual. A decisão ficará a cargo do Conselho de Sentença, formado por sete jurados.

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