domingo, 25 de janeiro de 2026
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CASO RAQUEL CATTANI

Irmãos vão a júri por feminicídio da filha de deputado

O caso teve ampla repercussão em Mato Grosso, tanto pela ligação da vítima com o parlamentar quanto pelas circunstâncias do crime

Os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde sentam no banco dos réus pelo feminicídio da empresária Raquel Maziero Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL). O julgamento ocorre nesta quinta-feira (22), no Fórum da comarca.

O caso teve ampla repercussão em Mato Grosso, tanto pela ligação da vítima com o parlamentar quanto pelas circunstâncias do crime. Foi o próprio deputado quem encontrou a filha assassinada, com múltiplos ferimentos de faca, na chácara onde ela morava, no assentamento Pontal do Marape, em julho de 2024.

O júri é presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, da 3ª Vara da Comarca. Por decisão judicial, está proibida a transmissão ao vivo da sessão, como forma de resguardar a intimidade da vítima. Apenas a assessoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) está autorizada a gravar áudio e vídeo, que posteriormente serão disponibilizados à imprensa.

O acesso de jornalistas ao local é restrito, com limite de um profissional por veículo, previamente credenciado. Não é permitido o trabalho jornalístico dentro do plenário, e as informações sobre o andamento do julgamento só podem ser repassadas fora do ambiente interno.

O crime

Raquel tinha 26 anos, era empresária, mãe de dois filhos e proprietária da premiada Queijaria Cattani. À época do crime, ela enfrentava um processo de separação litigiosa com Romero, com quem foi casada por nove anos e que é pai das crianças.

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), Rodrigo, irmão de Romero, foi o responsável por executar o crime, enquanto o ex-marido da vítima é apontado como mandante.

Conforme a denúncia, no dia 18 de julho, Romero levou o irmão até as proximidades da propriedade de Raquel, onde ele ficou escondido. Em seguida, Romero buscou os filhos na casa da ex-esposa e foi almoçar na residência do deputado Cattani, onde teria simulado sofrimento pela separação.

Ainda de acordo com a investigação, ele levou as crianças para Tapurah com o objetivo de criar um álibi e, ao longo do dia, promoveu encontros sociais e frequentou estabelecimentos noturnos para reforçar a versão de que não estava próximo ao local do crime.

Enquanto isso, Rodrigo arrombou uma janela da residência, entrou no imóvel e aguardou a chegada da vítima. Ao retornar para casa, Raquel foi atacada e assassinada com 34 facadas. Para tentar despistar a polícia, o autor do crime revirou o imóvel, quebrou objetos e subtraiu pertences pessoais, além da motocicleta da empresária.

Na fuga, o veículo e o celular da vítima foram descartados em um rio, no município de Lucas do Rio Verde.

A investigação chegou inicialmente a Rodrigo após a Polícia identificar seu histórico criminal. Dias depois do crime, ele foi localizado em uma quitinete, onde os policiais encontraram diversos objetos pertencentes à vítima, incluindo um frasco de perfume, um aparelho de som, um cinto, um porta-celular e a faca utilizada no assassinato.

Confrontado, Rodrigo confessou o crime e afirmou que agiu a mando do irmão, mediante pagamento de R$ 4 mil.

Romero foi preso horas depois, na casa do deputado Gilberto Cattani. À época, o parlamentar afirmou que já desconfiava do ex-genro e que optou por mantê-lo próximo para colaborar com as investigações.

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