A Justiça de Mato Grosso determinou a prisão preventiva do advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, de 67 anos, acusado de atropelar e matar a servidora aposentada da Politec, Ilmes Dalmis Mendes da Conceição, de 72 anos, na Avenida da FEB, em Várzea Grande.
A decisão foi dada pelo juiz Pierro de Faria Mendes, da 1ª Vara Criminal do município, durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (21).
O magistrado apontou a gravidade concreta da conduta atribuída ao investigado. Para o juiz, o atropelamento, aliado à ausência de socorro à vítima, demonstra elevado grau de reprovabilidade social e desprezo pela vida humana.
Na decisão, o juiz também negou o pedido da defesa para substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.
Os advogados alegaram que Paulo Roberto possui comorbidades como hipertensão, trombose e diabetes, mas o magistrado entendeu que não houve comprovação atual de que as doenças inviabilizem o tratamento dentro do sistema prisional.
Outro fator considerado foi a tentativa de fuga após o atropelamento da vítima. Conforme destacado na decisão, a conduta indica risco à aplicação da lei penal, reforçando a necessidade da custódia cautelar para garantir o regular andamento do processo.
O magistrado ainda levou em conta o histórico criminal do advogado, que já teria utilizado documento falso em processo anterior com o objetivo de ocultar a própria identidade, conduta que resultou em condenação definitiva.
Para a Justiça, esse comportamento evidencia propensão a frustrar a atuação do Estado e dificulta eventual responsabilização penal.
Histórico criminal
Paulo Roberto Gomes dos Santos possui condenações anteriores por crimes graves. Em 2006, foi sentenciado a 19 anos de prisão pela morte de Rosimeire Maria da Silva, ocorrida em 2004. O corpo da vítima foi esquartejado e jogado em rios de Mato Grosso. À época, ele utilizava identidade falsa, com o nome de Francisco de Ângelis Vaccani Lima.
O advogado também foi condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato do delegado Eduardo da Rocha Coelho, ocorrido em 1998, no Rio de Janeiro. Na ocasião, Paulo Roberto era policial civil e efetuou disparos contra a autoridade dentro de uma viatura.
Ele deixou a prisão em 2011 e, atualmente, constava como regular nos registros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Após a morte da idosa, a OAB-MT comunicou a supensão.
O atropelamento da servidora aposentada segue sob investigação da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran).
