A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta sexta-feira (16), a Operação Proditio, que cumpre 21 ordens judiciais contra uma facção criminosa envolvida na tortura, homicídio e ocultação de cadáver da adolescente Emily Carolaine Roman de Oliveira, de 16 anos. O crime ocorreu em outubro de 2025, em Araputanga (a 345 km de Cuiabá).
Ao todo, são cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, três de internação provisória, sete de busca e apreensão e sete de quebra de sigilo de dados telemáticos. Entre os alvos estão integrantes da facção com funções específicas, responsáveis por coordenar ações criminosas e aplicar as chamadas “leis” do grupo na região.
Tortura e homicídio
Emily foi assassinada no dia 19 de outubro de 2025, após ser atraída para uma residência no bairro Jardim Village. No local, a jovem foi submetida a um “salve” — espécie de tribunal do crime — que decretou sua morte.
Segundo a investigação, a adolescente sofreu horas de tortura, incluindo agressões físicas, afogamento em uma caixa-d’água, choques elétricos com um ventilador adaptado e, por fim, foi estrangulada com um lençol. O crime foi gravado em vídeo durante chamadas com outros integrantes da facção, evidenciando a organização e a frieza do grupo.
O corpo foi encontrado dois dias depois, às margens do rio Bugres. O laudo necroscópico apontou que a causa da morte foi asfixia mecânica por estrangulamento, além de identificar lesões compatíveis com violência sexual, tortura, sinais de defesa e diversos hematomas.
Investigações
As apurações da Delegacia de Araputanga indicam que o homicídio foi ordenado por lideranças locais da facção, como forma de punição e exemplo aos demais integrantes. A motivação estaria ligada a conflitos internos do grupo, já que a adolescente teria sido acusada de envolvimento no desaparecimento de um membro da facção, ocorrido dias antes, em meio a uma suposta traição passional.
Durante a investigação, a polícia identificou uma hierarquia bem definida dentro da facção, com divisão de funções entre liderança, disciplina e execução de atos violentos.
De acordo com o delegado Cleber Emanuel Neves, a operação representa um golpe significativo contra a estrutura criminosa do município. “As provas demonstram a necessidade de medidas cautelares severas para desarticular essa célula criminosa e impedir a continuidade dos crimes na região”, afirmou.
As investigações continuam para aprofundar a análise dos elementos colhidos e garantir a eficácia das diligências.
Proditio
O nome da operação vem do latim e significa “traição”, em referência à motivação do crime, que envolveu disputas internas e traição passional dentro da facção criminosa.
