Segundo as investigações, os valores envolvidos são elevados. Apenas uma das empresas investigadas movimentou cerca de R$ 86,8 milhões, sendo que R$ 42,9 milhões foram declarados como exportações sem comprovação. Diante das irregularidades, foi constituída Certidão de Dívida Ativa no valor aproximado de R$ 34,4 milhões, considerado o montante suspeito de sonegação fiscal.
De acordo com os investigadores, o esquema utilizava indevidamente o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP 6502), destinado a remessas com finalidade de exportação. Com isso, os suspeitos justificavam a não incidência de ICMS, embora as mercadorias permanecessem em território nacional e fossem comercializadas internamente.
Nesta segunda fase da Operação Fake Export, foram intimadas 30 pessoas, entre supostos administradores das empresas e produtores rurais que mantiveram relações comerciais com os investigados. A medida tem como objetivo avançar na responsabilização dos envolvidos e reunir novos elementos sobre a fraude.
Segundo o delegado da Delegacia Fazendária, Walter de Mello Fonseca Júnior, a operação demonstra a atuação contínua do Estado no combate à sonegação fiscal.
“A atuação é contínua e estratégica. Não se trata apenas da recuperação de valores, mas da desarticulação de estruturas criminosas que causam concorrência desleal e prejuízos à sociedade”, afirmou.
O promotor de Justiça Washington Eduardo Borrere, que atua na Promotoria de Combate aos Crimes contra a Ordem Tributária, destacou a importância da atuação integrada entre os órgãos que compõem o comitê.
Segundo ele, o compartilhamento de informações entre as instituições fortalece as investigações e permite a identificação mais rápida de esquemas ilícitos.
Além do caráter repressivo, a operação também possui caráter preventivo, com o objetivo de alertar produtores rurais, empresários e agentes econômicos sobre a importância da regularidade fiscal e do cumprimento das obrigações tributárias.
O Cira-MT é composto por representantes do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso, Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso, Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso, Polícia Civil (Defaz) e Secretaria de Estado de Fazenda, que atuam de forma conjunta no combate a fraudes fiscais e na recuperação de ativos em favor do Estado.