O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), causou um visível constrangimento na cúpula do Partido Liberal na manhã desta segunda-feira (09). Durante a coletiva que deveria selar a união em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, Abilio reiterou que não abrirá mão de apoiar também o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
O posicionamento, que já havia sido ventilado na semana passada, foi reafirmado “olho no olho” diante das principais lideranças do PL. Abilio justificou a divisão alegando ter uma relação de amizade íntima com Pivetta, a quem chamou de “amigo pessoal”, ao mesmo tempo em que diz respeitar a decisão partidária que lançou Wellington.
“Eu deixo claro que eu torço pelos dois, tanto pelo pré-candidato ao governo Wellington, quanto pelo pré-candidato ao governo Otaviano, dos quais eu tenho carinho, uma aproximação muito grande e respeito ambas as pré-candidaturas”, disparou o prefeito, sob olhares de estranhamento dos correligionários.
Conversa em Brasília
Tentando amenizar o impacto da declaração, Abilio revelou que a “saia justa” já foi tema de uma reunião em Brasília, com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo o prefeito, ele explicou pessoalmente a Wellington sua proximidade com o vice de Mauro Mendes.
“Expliquei para ele da minha relação muito próxima, íntima que eu tenho com o Otaviano Pivetta, e ele sabe muito bem disso”, afirmou, tentando equilibrar o papel de gestor que busca diálogo institucional com o de aliado político que, na prática, terá um pé em cada palanque.
Apesar de garantir que respeita as escolhas de Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, a postura de Abilio sinaliza uma fissura na fidelidade partidária esperada pelo PL em Mato Grosso, justamente no momento em que a sigla tenta isolar o grupo de Pivetta e Mauro Mendes para a sucessão no Palácio Paiaguás.
