Felipe Igreja – Da CBN Brasília
O ministro André Mendonça, que determinou a prisão preventiva do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que sua liberdade colocava em risco a operação de investigação do caso.
Ainda segundo o ministro, permitir a liberdade de Vorcaro e dos demais investigados significaria manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade.
O despacho do ministro foi divulgado na manhã desta quarta-feira (4). Também foram alvos da operação, Fabiano Campos Zetel, cunhado de Vorcaro; Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado como o “Sicário” de Vorcaro; e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que também fazia parte do grupo montado para monitorar adversários do empresário.
Segundo André Mendonça, os quatro e outras pessoas integravam uma organização criminosa que demonstra altíssima capacidade de reorganização. Essa já é a terceira fase da Operação Compliance. Apesar do parecer contrário da Procuradoria Geral da República (PGR), Mendonça determinou a prisão de Vorcaro e disse que lamenta o posicionamento do órgão.
Organização criminosa
A Polícia Federal identificou quatro núcleos principais de atuação dessa organização criminosa. Um núcleo financeiro responsável pelas fraudes contra o sistema financeiro; um de corrupção institucional voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; outro de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro; e o quarto núcleo de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.
As investigações apontam que esse último núcleo tinha um grupo no WhatsApp chamado “A Turma”, onde toda a conversa era feita para que houvesse ação e intimidação de críticos do Banco Master e de Daniel Vorcaro.
O principal operador desse grupo seria Phillipi Mourão, identificado como o “Sicário” de Vorcaro. A PF suspeita que ele recebia R$ 1 milhão por mês do dono do Banco Master para intimidar e monitorar adversários.
Servidores do Banco Central
As investigações também apontam que Daniel Vorcaro manteve uma interlocução direta com servidores do Banco Central responsáveis pela supervisão bancária, ou seja, área de fiscalização do Banco Master.
Um dos contatos de Vorcaro era Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização do Banco Central, entre 2019 e 2023. Foram identificadas comunicações nas quais Vorcaro solicitava orientações estratégicas a esse ex-diretor do BC.
Inclusive, há uma passagem no despacho do ministro em que o ex-diretor manda a imagem da portaria de sua nomeação para Daniel Vorcaro, que, por sua vez, o parabeniza. Os investigadores também identificaram que Vorcaro conseguiu arrumar um guia turístico para uma viagem da família de Paulo Sérgio aos parques da Disney, nos Estados Unidos.
Por fim, ainda chama a atenção uma crítica de André Mendonça à Procuradoria Geral da República, que não concordou a ação e com a prisão preventiva dos investigados.
Mendonça afirma que lamenta o posicionamento da PGR diante da evidência dos ilícitos e a necessidade de urgência da adoção de medidas para parar o que foi apresentado pela Polícia Federal. O ministro também lamenta porque está diante da concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas e porque há indicativos de que Vorcaro teve acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público e até mesmo de organismos internacionais, como a Interpol.
A decisão do ministro André Mendonça precisa passar por referendo na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. A segunda turma tem ainda os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, que era relator do caso e saiu, Nunes Marques e Edson Fachin.
O referendo já foi encaminhado para o julgamento no plenário virtual da Segunda Turma. Falta a definição da data.
