Da CBN Rede
Duas ex-funcionárias, entre elas, uma ex-aluna, denunciaram o desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Magid Láuar, por abuso sexual. Até o momento, cinco denúncias são apuradas pelo CNJ – Conselho Nacional de Justiça.
Em entrevista ao Fantástico nesse domingo, as vítimas contaram como os crimes ocorreram. Elas não quiseram se identificar, por medo de represálias. Por isso, as vozes também foram distorcidas pela reportagem.
Uma das vítimas foi aluna e estagiária do magistrado. Ela contou que Magid a beijou sem o consentimento.
“Eu tinha 20 para 21 anos e um dia ele me convidou para almoçar. Em um determinado momento, de forma inesperada, ele me deu um beijo na boca, sem o meu consentimento. Eu me senti invadida, senti nojo. Fiquei constrangida, sem saber o que fazer. E aquilo me marcou profundamente. Eu não voltei mais para o estágio.”
A outra vítima é uma mulher que trabalhou no gabiente de Láuar quando ele ainda era juiz em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. A vítima detalhou que o magistrado tentou agarrá-la e tocou o corpo dela dentro do local de trabalho.
“Eu fiquei muito assustada na hora e eu falei ‘abre a porta que eu quero sair’. Aí ele me encostou na parede e tentou me beijar. Eu fiquei com a boca fechada e ele ficou me enfiando na língua. E aí eu falei com ele ‘se você não me soltar, eu vou gritar’. Na época eu tinha muito medo, porque ele é o juiz. O poder é dele, seria a minha palavra contra dele”.
Além delas, outra vítima que prestou depoimento foi o sobrinho de Magid, Saulo Láuar, que alegou ter sido vítima de tentativa de abuso pelo desembargador quando tinha 14 anos.
Magid Láuar foi afastado das funções , na útlima sexta-feira, por determinação do CNJ devido à gravidade das denúncias apuradas. Mesmo assim, ele continua recebendo o salário de 41 mil e 800 reais.
Láuar foi relator de um julgamento que absolveu um homem de 35 anos, acusado de estupro de vulnerável de uma menina de 12. O crime ocorreu em 2024. O desembargador entendeu que o réu e a vítima tinham um “vínculo afetivo consensual” e reverteu a sentença de primeira instância que havia condenado o autor a nove anos e quatro meses de prisão. Depois de recurso do Ministério Público Minas e com a pressão da opinião pública, o magistrado voltou atrás e restituiu a condenção.
Com a nova sentença, Láuar determinou a prisão do homem e da mãe da menina, que também foi condenada no processo. Os dois foram detidos em Indianópolis, no Triângulo Mineiro, no dia 25 de fevereiro. A garota está sob a guarda do pai.
A última decisão será avaliada pela 9ª Câmara Criminal em sessão marcada para esta quarta-feira, 4 de março. Um juiz de primeiro grau foi designado pelo TJ para substituir Láuar na turma.
