Um piloto da Latam, de 60 anos, foi preso na manhã desta segunda-feira (9) no aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, suspeito de integrar e comandar uma rede de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. A prisão ocorreu dentro da cabine da aeronave e faz parte da operação Apertem os Cintos, conduzida pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
De acordo com a Polícia Civil, uma mulher de 55 anos também foi presa. Segundo as investigações, ela aliciava as próprias netas para o piloto e para a rede criminosa. As vítimas tinham entre 11 e 15 anos e eram levadas a motéis mediante o uso de documentos falsos.
Ao todo, a Justiça expediu dois mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão contra quatro investigados. A força-tarefa mobiliza 32 policiais civis e 14 viaturas. Uma das equipes segue para Guararema, no interior paulista, onde o piloto mora, para apreender documentos, computadores e outros equipamentos eletrônicos que possam auxiliar na investigação.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o inquérito teve início em 2025 e apura crimes de estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de criança e adolescente, uso de documento falso, produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantojuvenil, perseguição reiterada (stalking), aliciamento de crianças e coação no curso do processo.
As provas reunidas até o momento indicam, ainda de acordo com a SSP, que os crimes fazem parte de uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos. Os mandados foram expedidos diante de fortes indícios de autoria e do risco de ocultação ou adulteração de provas, especialmente digitais.
Em nota, a Latam informou que tinha conhecimento da detenção de um tripulante durante o embarque do voo LA3900, entre Congonhas e Santos Dumont, na manhã desta segunda-feira (9), e destacou que a operação ocorreu normalmente, sem atrasos. A companhia afirmou que abriu apuração interna, está colaborando com as autoridades e repudiou qualquer prática criminosa, reforçando o compromisso com elevados padrões de segurança e conduta.
A CBN procurou também a Aena, concessionária que administra o aeroporto de Congonhas, e aguarda posicionamento sobre o caso.
