A jovem de 24 anos que denunciou ter sido estuprada pelo investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, dentro da Delegacia de Sorriso, detalhou os momentos de terror que viveu em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini. À reportagem, a vítima descreveu o tratamento degradante que recebeu do servidor público, que já foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de estupro e abuso de autoridade.
“Me obrigou a ficar pelada, mandou eu deitar na cama e abusou de mim. Me cuspia… Nem um animal a gente trata dessa forma”, desabafou a jovem. Segundo o relato, os abusos ocorreram entre a noite de 9 de dezembro e a manhã do dia 10, no alojamento da unidade policial, local destinado ao descanso dos agentes. A vítima revelou que foi estuprada quatro vezes, sempre algemada e sob a mira de uma pistola.
A crueldade do investigador incluía o controle sobre possíveis vestígios do crime. A jovem afirmou que Manoel a proibiu de molhar o cabelo para não apagar provas e a obrigou a se higienizar de forma precária após os atos.
“Depois que ele terminou o ato, ele me empurrou para dentro do banheiro, mandou eu me lavar com detergente. Tomei banho e ele ficou me olhando”, relatou emocionada, completando que se sentia como “um lixo” dentro da delegacia.
O advogado da vítima, Walter Rapuano, afirmou que a cliente e a filha dela, de apenas 8 anos, sofreram ameaças de morte para que o caso não viesse à tona. Após os abusos, a jovem era reconduzida à cela comum sob ordens de silêncio.
“Mandou eu calar a minha boca, me levou pra dentro da cela e me trancou lá. Eu tinha acabado de perder um bebê e isso poderia ter dado uma gravidez”, disse.
Manoel Batista da Silva foi preso no dia 1º de fevereiro de 2026, após exames periciais confirmarem o abuso sexual. O inquérito da Polícia Civil foi concluído e o caso agora segue sob a responsabilidade do Judiciário.
