Gabriela Echenique – Da CBN Rede
A crise do Master deve dominar o debate político na volta das atividades parlamentares no Congresso Nacional. A oposição vai fazer barulho nas próximas semanas cobrando a instalação da CPI do Master.
Nos bastidores, Hugo Motta e Davi Alcolumbre já sinalizaram que não devem abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para tratar do assunto, principalmente em ano eleitoral. Mais ainda diante da possibilidade de nomes importantes das casas aparecerem nas investigações.
Mesmo assim, a oposição vai insistir em tentar colar a crise no Planalto – numa forma de levantar o assunto ‘corrupção’ em ano de eleição e desgastar o governo. Para isso, deve usar a CPMI do INSS – usando os consignados possivelmente irregulares fechados pelo Master que podem ter gerado prejuízo aos aposentados e pensionistas. Por isso, Lula já vem atuando nos bastidores para se aproximar ainda mais dos presidentes das duas casas.
Para o cientista político da Tendências Consultoria, Rafael Cortez, a tendência é que Hugo Motta dê prosseguimento às pautas pendentes da Câmara – como sugeriu na primeira reunião de líderes ainda no recesso. Tudo para evitar respingar ainda mais na classe política. Com isso, o governo pode sair ‘ganhando’ com a aprovação de pautas importantes, como a PEC da segurança.
“Justamente a partir dessa incerteza quase sistêmica que, em alguma medida, pelo menos a liderança, tanto na Câmara, quanto no Senado, vão tentar não ficar presos a esse caso. Paradoxalmente, a gente pode até ter um efeito de alguns itens na agenda caminhando para evitar essa ‘normalidade’ começar a acontecer, para não ficar preso aos desdobramentos do Master. Consigo ver um cenário não tão ruim para a agenda do governo do que sem o caso Master. Agora, a gente está falando de um ano curto, do ponto de vista de atividade legislativa”, pontua.
O governo quer aproveitar a retomada do ano legislativo para aprovar, ainda em fevereiro, o acordo entre Mercosul e União Europeia, além de Medidas Provisórias que estão perto da validade, como a do auxilio gás. Além disso, Lula deve enviar a mensagem de indicação de Jorge Messias ao STF e vai trabalhar para colocar no centro do debate as propostas sobre segurança e o fim da escala 6×1.
