A mãe do prefeito de Nossa Senhora do Livramento (a 38 km de Cuiabá), Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, de 52 anos, vai passar a usar tornozeleira eletrônica após ser alvo da Operação Vínculo Quebrado, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (27). Na decisão judicial, também foi determinado o bloqueio e sequestro de valores em contas bancárias da investigada, até o limite de R$ 1 milhão.
Adriana é acusada de usar indevidamente o nome do próprio filho, o prefeito Thiago Gonçalo Lunguinho (União), para aplicar golpes financeiros em Mato Grosso.
Além da tornozeleira, a Justiça determinou a apreensão do passaporte, a proibição de cadastro e uso de plataformas de apostas on-line, o recolhimento domiciliar no período noturno e o comparecimento trimestral em juízo. Ela também está proibida de frequentar determinados locais, inclusive um estabelecimento comercial de sua propriedade, e de se aproximar ou manter contato com as vítimas, salvo por meio de advogado.
Os mandados foram expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá e cumpridos pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande.
Segundo a Polícia Civil, a investigada alegava que os valores captados seriam investidos em empresas supostamente prestadoras de serviços ao município, afirmando que essas companhias teriam vencido licitações. A estratégia servia para conferir credibilidade às abordagens e atrair investidores, mas, conforme as investigações, tratava-se de uma fraude.
De acordo com o delegado André Luis Prado Monteiro da Silva, o prejuízo causado ultrapassa R$ 913 mil, considerando apenas as vítimas que formalizaram denúncia. Oito pessoas já compareceram à delegacia.
As apurações apontam que os golpes começaram no fim de 2024, com promessa de lucros elevados. Endividada devido ao vício em jogos on-line, Adriana passou a usar dinheiro de novas vítimas e de agiotas para pagar credores alternadamente, até não conseguir mais sustentar a farsa no final de 2025.
Ela foi indiciada pelos crimes de estelionato e falsa identidade. O delegado ressaltou que o próprio filho, prefeito, é considerado vítima no crime de uso indevido de nome.
A Polícia Civil também alertou que pessoas que emprestaram dinheiro com juros abusivos podem responder por crimes previstos na Lei de Usura e contra a Economia Popular. Essa apuração tramita separadamente na 3ª Delegacia de Polícia de Várzea Grande.
“O objetivo das medidas judiciais é evitar risco de fuga e garantir, na medida do possível, o ressarcimento das vítimas”, afirmou o delegado.
A prisão preventiva poderá ser analisada a qualquer momento, especialmente em caso de descumprimento das medidas impostas.
