Samantha Klein – da CNB Rede
A sessão que discutia o projeto de dosimetria de penas no Congresso foi interrompida nesta terça-feira (9) após uma confusão generalizada que terminou com o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) sendo retirado à força pela polícia legislativa.
A retirada ocorreu depois que o parlamentar ocupou a cadeira da Mesa Diretora – momento em que o sinal da TV Câmara foi cortado e jornalistas foram orientados a deixar o plenário. As únicas imagens disponíveis são vídeos gravados por deputados e assessores.
Segundo relatos de parlamentares aliados, houve agressões contra deputados e deputadas que tentaram impedir a remoção.
Vídeos mostram cadeiras caindo, agentes cercando Glauber e ao menos seis pessoas pressionando o deputado enquanto tentavam retirá-lo. Do lado do governo, o líder José Guimarães afirmou que tenta negociar uma saída pacífica, mas admitiu que a situação “saiu de controle”.
A tensão começou após o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmar mais cedo que o caso de Glauber pode ser levado ao plenário já nesta quarta-feira (10). A CCJ já aprovou o parecer pela cassação.
O deputado, porém, contesta o fato de seu processo – motivado por uma agressão e enquadrado como quebra de decoro – ter sido incluído no mesmo bloco dos casos de Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, que envolvem condenações judiciais ou fuga do país.
Segundo Motta, a previsão é votar quatro cassações: as de Zambelli, Eduardo Bolsonaro, Glauber Braga e Alexandre Ramagem. No caso de Eduardo Bolsonaro, que acumula mais de 50 faltas, a decisão caberá apenas à Mesa Diretora; os demais devem ir ao plenário.
Enquanto ocupava a cadeira da presidência, Glauber afirmou que não deixaria o posto até que fosse retirada a possibilidade de votação de sua cassação. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), sua esposa, e o deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) permaneceram ao seu lado. Imagens da GloboNews, que segue transmitindo de fora do plenário, mostram parlamentares se aproximando para dialogar com o deputado.
