segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
InícioDestaque PrincipalPL que protege crianças em ambientes digitais será votado na quarta, diz...
"MATÉRIA FUNDAMENTAL"

PL que protege crianças em ambientes digitais será votado na quarta, diz Motta

O projeto responsabiliza as plataformas e prevê a retirada de conteúdos criminosos mesmo sem decisão judicial

DA CBN

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou nesta segunda (18) que a votação do PL 2628, do senador Alessandro Vieira (MDB), acontecerá nesta quarta-feira (20), e chamou de “matéria fundamental para a população brasileira”.

O projeto está no centro de debates na sociedade após a divulgação da denúncia do youtuber Felca sobre “adultização” de crianças e adolescentes na internet e da prisão do influenciador Hytalo Santos, investigado por exploração sexual de menores de idade.

A votação do projeto de lei que protege crianças e adolescentes em ambientes digitais deve ocorrer no Plenário após a comissão geral, marcada para quarta. O presidente da Câmara afirmou que também será instalada a CPMI do INSS, que investigará possíveis crimes cometidos contra aposentados e pensionistas e que nesta semana também se discutirá lei que combate fraudes no INSS.

O relator do PL 2628 na Câmara, deputado Jadyel Alencar (MDB-PI), disse à CBN que o texto está maduro e tem caráter suprapartidário. Segundo ele, a medida não abre brechas para censura e tem sido elogiada por especialistas. A mobilização em torno da votação ganhou força após a prisão do influenciador Hytalo Santos, investigado por exploração de menores.

O projeto aprovado no Senado estabelece regras de proteção a crianças e adolescentes no ambiente digital, responsabiliza as plataformas e prevê a retirada de conteúdos criminosos mesmo sem decisão judicial. Alessandro Vieira afirmou que o texto foi construído com apoio de especialistas de diversas áreas e conta com ampla maioria.

A oposição, no entanto, resiste à votação nos termos atuais. Líderes do PL e do Novo argumentam que a proposta é vaga e pode abrir espaço para censura. Entre os pontos criticados estão a expressão ‘acesso provável’, considerada ampla, e a previsão de sanções às plataformas aplicadas por uma autoridade nacional vinculada ao governo federal.

Governo defende projeto

Nesta segunda-feira (18), em entrevista à CBN, a ministra Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos, confirmou que o governo defende a aprovação do projeto.

A ministra detalha os pontos do projeto que considera importantes para proteger os menores de idade na internet. O primeiro é a supervisão parental, em que os pais devem ter acesso a informações sobre riscos e medidas de segurança, e principalmente, mecanismos “amigáveis” para poder prevenir o acesso e o uso inadequado da internet por crianças e adolescentes, que todos os pais consigam utilizar.

“Porque às vezes dizem: tem um mecanismo que permite o bloqueio. Mas é difícil uma pessoa comum saber de detalhes, às vezes, extremamente técnicos. Isso não é facilmente capturável. Então, é preciso ter um trabalho muito sério em relação a isso.”

Outro ponto do PL 2628 defendido pela ministra é a verificação efetiva da idade do usuário e a vinculação das contas de menores, em que qualquer pessoa menor de 16 anos teria sua conta nas redes sociais vinculada a um responsável legal.

Além disso, Macaé Evaristo defende a regulamentação do projeto em relação à publicidade digital, um “elemento fundamental” para o governo.

“Porque ele proíbe o perfilamento, a análise emocional para direcionamento de publicidade para crianças e adolescentes. E chama a atenção para a necessidade dos produtos e serviços de tecnologia desde a concepção eles adotarem medidas para a proteção de crianças e adolescentes.”

Sobre as acusações de tentativa de censura feitas por políticos da direita, a ministra diz que não se trata de suprimir a liberdade de expressão, e sim de proteger as crianças. Macaé Evaristo compara o ambiente digital à televisão, os jornais e outras mídias e diz que “todos eles que prestam serviços, que têm um controle editorial, eles já sabem que estão submetidos a determinadas regras.”

“Nós estamos falando de um aparelho que muitas vezes fica na mão da criança, na mão do adolescente, trancada no quarto. E essa criança está trancada no quarto, mas é como se ela estivesse sozinha numa praça, no meio de milhões de pessoas que você não sabe quem são.”

Segundo a ministra, quando se comete um crime contra a criança e o adolescente no ambiente digital, as empresas que são facilitadoras ou que permitem que isso ocorra precisam ser responsabilizadas e precisam adotar mecanismos de prevenção.

“No caso da rede, o que se observa é que o acesso de crianças e a exposição de crianças, no geral, tem sido monitorado, tem sido observado e tem sido utilizado para cometer crimes e outra coisa, para monetização. Então, o PL vem responder a esse conjunto de coisas.”

Unicef pede aprovação

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pediu urgência na aprovação do PL de proteção de crianças e adolescentes online. A especialista em Proteção contra Violências do Unicef no Brasil, Luiza Teixeira, destaca que a internet e tecnologias digitais “podem expor crianças e adolescentes a riscos graves”.

A Unicef ressalta que acompanha as discussões sobre o PL 2628/2022 no Congresso Nacional e defende o projeto como “avanço importante para o Brasil no que tange ao direito à proteção integral de crianças e adolescentes”.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância recomenda, ainda, o fortalecimento dos canais de denúncias, ressaltando que a subnotificação de casos de violência contra crianças e adolescentes em ambientes digitais ainda é um desafio.

Mais lidas nesta categoria
- Publicidade -

- Publicidade -

Powered by WP Bannerize

Siga-nos nas redes sociais

39,985FãsCurtida
23,400SeguidoresSeguir
14,453InscritosInscreva-se
Error