THAIZA ASSUNÇÃO – DA REDAÇÃO
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou o afastamento do servidor e ex-vereador de Cuiabá Luís Claudio (MDB), por suposto envolvimento no esquema investigado na Operação Sepulcro Caiado.
Deflagrada em 30 de julho pela Polícia Civil, a operação apura o desvio de R$ 21 milhões da conta única do TJ. Não há informações sobre qual o envolvimento do ex-vereador no caso. Ele atua como técnico judiciário e recebe salário de até R$ 40 mil.
O afastamento foi determinado pelo desembargador José Zuquim Nogueira, presidente do Tribunal de Justiça.
Luís Cláudio teve o acesso a todo o sistema do TJ bloqueado e ainda vai responder a uma sindicância interna.
No total, quatro servidores do Judiciário foram afastados de suas funções após a operação.
Além de Luís Claudio, estão afastados Mauro Ferreira Filho, considerando o principal elo com o esquema, Eva da Guia Magalhães e Cláudia Regina Dias de Amorim Del Barco Correa.
Também foram alvos da operação o empresário João Gustavo Ricci Volpato, seu irmão e sua mãe, Augusto Frederico Ricci Volpato e Luiza Rios Volpato; e os advogados Wagner Vasconcelos de Moraes, Themis Lessa da Silva, João Miguel da Costa Neto, Rodrigo Moreira Marinho, Régis Poderoso de Souza, Denise Alonso e Melissa França Praeiro Vasconcelos de Moraes.
Sepulcro Caiado
Ao todo, a operação cumpriu 11 mandados de prisão, 22 mandados de busca e apreensão, 16 ordens de bloqueio de valores que somam R$ 21,7 milhões, 46 quebras de sigilo bancário e fiscal, além do sequestro de 18 veículos e 48 imóveis. As diligências ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande e Marília (SP).
Segundo as investigações, os suspeitos ajuizavam ações de cobrança em nome de empresas e, sem o conhecimento das partes rés, simulavam o pagamento das dívidas com comprovantes falsos de depósitos judiciais.
O servidor Mauro Ferreira, com acesso à conta única do tribunal, teria viabilizado o desvio ao migrar os valores para contas vinculadas aos processos fraudulentos, liberando alvarás de forma ilegal.
Ao menos 17 processos, protocolados entre 2018 e 2022, estão sob análise. A metodologia usada para os desvios teria sido comprometida após o Tribunal alterar, em 2023, o sistema de repasse de valores.
A lista de vítimas inclui empresários e pessoas físicas, muitas das quais descobriram ações com dívidas quitadas ficticiamente, chegando a R$ 1,8 milhão em um dos casos — embora os débitos reais fossem inferiores a R$ 100 mil. Em um episódio considerado grave, uma pessoa interditada judicialmente teve seu nome utilizado no esquema.
