A Justiça de Mato Grosso determinou a internação provisória de três adolescentes envolvidas na tortura de uma colega de 12 anos na Escola Estadual Carlos Hugueney, em Alto Araguaia (419 km de Cuiabá). As jovens serão encaminhadas para uma unidade socioeducativa em Cuiabá.
A informação foi confirmada nesta quarta-feira (6) pelo secretário de Estado de Educação, Alan Porto. Por envolver menores de idade, o processo tramita em sigilo.
Apesar de quatro alunas estarem diretamente envolvidas no caso, uma delas — de 11 anos — não foi incluída na decisão judicial, já que, por lei, unidades socioeducativas atendem apenas adolescentes entre 12 e 18 anos que cometeram atos infracionais.
O caso veio à tona após a Polícia Civil receber, na segunda-feira (4), um vídeo da agressão, gravado pelas próprias autoras e divulgado nas redes sociais. Nas imagens, a vítima é espancada dentro da escola enquanto tenta resistir ao ataque.
Durante as investigações, as adolescentes confessaram que também agrediram outras quatro colegas. A Delegacia de Alto Araguaia identificou, nos celulares das envolvidas, vídeos dessas agressões anteriores.
Segundo o delegado Marcos Paulo Batista de Oliveira, o grupo agia com características semelhantes às de uma organização criminosa, impondo regras e punições entre as integrantes. A vítima teria sido atacada por descumprir uma dessas normas — uma das regras era a proibição de chorar durante as agressões, sob pena de aumento da violência.
As apurações ainda revelaram que uma das adolescentes já havia sido conduzida à delegacia anteriormente por envolvimento com adultos ligados a facções criminosas e por porte de entorpecentes.
Cerca de 10 pessoas prestaram depoimento, incluindo os pais das envolvidas, a direção da escola e a vítima. A Polícia Civil também investigou o histórico familiar das adolescentes e identificou vínculos com organizações criminosas, o que pode ter influenciado o comportamento das menores.
“Durante as oitivas, foi possível verificar que algumas das adolescentes tentavam reproduzir no ambiente escolar aquilo que presenciavam dentro de casa”, afirmou o delegado Marcos Paulo.
As investigações seguem em andamento.